Muitas vezes tenho sido acusado de, recorrentemente, servir-me da mesma linha de exemplos para pincelar em linhas gerais temas sobre a sociedade. São exemplos as referências constantes a episódios de “Os Simpsons” ou a músicas da Eurovisão (como se pode confirmar em posts anteriores). Em abono da verdade, há que admitir que essa atitude não foi, de todo, intencional mas, como efeito, é uma prática recorrente.
Hoje, quando me dirigiram um comentário sobre o conteúdo dos textos aqui apresentados, acompanhado de uma “crítica” de baixa actualização deste blog (que eu aceito com bastante tristeza e resignação), apercebi-me que essa prática não é reprovável, antes pelo contrário. Acredito que o recurso a esses exemplos tem um duplo sentido: reforçar a ideia que pretendo transmitir ao mesmo tempo que divulgo algo que para a maioria possa ser desconhecido (ou pelo menos algo que tenha passado despercebido).
Foi neste contexto que me surgiu no pensamento o Festival Eurovisão da Canção de 1993. Sim, pode parecer um pouco distante, mas para o caso serve perfeitamente. Nesse ano, em plena votação, dois países destacaram-se na dianteira: a Irlanda (vencedora de 1992 e organizadora do evento) e o Reino Unido (o segundo classificado do ano anterior). Após a votação do Reino Unido (que atribui 12 pontos à Irlanda), a Irlanda tornou-se claramente a favorita a vencer o festival.
Ao terminar das votações, faltava conhecer os votos de um país: Malta (que foi deixado para o fim por dificuldades na transmissão – outros tempos em que a votação ainda era por telefone). Esta votação até poderia não ter grande importância, mas há que considerar um facto relevante: a diferença na votação dos dois países era de 11 pontos. Assim, tudo ainda estava em aberto (embora as possibilidades de vitória do reino unido fossem substancialmente inferiores às da Irlanda). Quis o destino (ou o júri de Malta) que nenhum dos dois países tivesse qualquer votação até se atingir os 12 pontos.
A expectativa era grande e reinava a ansiedade na sala. Se os 12 pontos fossem atribuídos ao Reino Unido, os britânicos levariam o prémio para casa com apenas um ponto de diferença. Porém, se fossem atribuídos à Irlanda, o país anfitrião granjearia uma vitória confortável de 23 pontos. Num terceiro cenário, a atribuição dos pontos a um qualquer outro país conferiria o prémio à Irlanda. E foi nesta ânsia que se ouviu Irlanda.
Falta, por isso, explicar a razão de ter escolhido esta metáfora. Nos últimos tempos tem sido claro que vale tudo para que o PS não vença as eleições de Setembro. Da esquerda à direita esgrimem-se argumentos para persuadir o eleitorado que os últimos anos foram realmente maus. Terão sido? É como na música, é impossível agradar a todos. É nesta lógica de “tudo menos o PS” que me surgiu a ideia de que estas eleições legislativas seriam um ESC 1993. Afinal, a música que ficou em segundo lugar (do Reino Unido) chamava-se “
Better the Devil You Know”.
Por isso, para mim, se as eleições legislativas de 27 de Setembro fossem o festival de 1993, o PS venceria as eleições, é que, na minha opinião, “
In Your Eyes” (da Irlanda), interpretada por Niamh Kavanagh, era a melhor música a concurso.
Adenda: Não quero com isto dizer que não gosto da música do Reino Unido, de facto, gosto bastante.