Quarta-feira, 23 de Junho de 2010

Sobre a ausência de Cavaco...

Que o presidente da República deveria ter comparecido ao funeral do único português Nobel da literatura é certo; que Cavaco Silva fez bem em estar ausente é igualmente correcto. Resta concluir que há incompatibilidades nas duas funções - ser presidente e Cavaco ao mesmo tempo.

Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

Liberdades

Muito se tem falado nos últimos tempos sobre liberdade de expressão. Obviamente que ter a liberdade de pensar o que quisermos e, em dose mais moderada, de o dizer não é a mesma coisa que materializar esse mesmo pensamento. Não deixa de ser curioso que justamente nesta altura, estando eu a ler um livro de um autor sueco, tropece no conceito “yttrandefrihetsgrundlagen”, ou simplesmente YGL, no qual se baseia a democracia sueca. De forma resumida: liberdade de expressão.

Não faria mal às pessoas que tanto defendem a liberdade de expressão reflectir um pouco sobre esta mesma liberdade. É que liberdade não é podermos dizer e fazer o que bem entendermos sem consequências. Liberdade, mesmo a de expressão, é ser responsável o suficiente para, acima de tudo, não ser ofensivo e respeitar o próximo. Quando se passa a marca do respeito, não podemos abanar com o princípio da liberdade.

A propósito desta política de casos (verdadeiros ou não) é fundamental não ser parcial ao ponto de ignorar um dos lados da questão. É muito fácil falarmos de atentados ao estado de direito e silenciamento de figuras incómodas. Mais difícil é insurgir-se contra certo e determinado jornalismo parcial, abjecto e de perseguição.

É curioso que se fale de uma suposta petição sobre a liberdade de expressão, que num só dia teve duas mil assinaturas. Ora, outra petição (sobre o programa de entretenimento ídolos) teve esse mesmo número de assinaturas em apenas um par de horas. Diz muito sobre o interesse das pessoas neste assunto, e é claro também sobre a informação que nos querem transmitir.

Domingo, 7 de Fevereiro de 2010

Obras de Deus, perversidades dos Homens

São numerosas as pessoas que em nome de Deus executam diversos actos com um único propósito: executar o que consideram ser o trabalho divino. À luz desta suposta nobre missão, realizam actos muitas vezes louváveis, há que admiti-lo, mas frequentemente (mais do que qualquer pessoa com dois dedos de testa ousaria permitir) praticam actos tresloucados e de pura insanidade mental.

Há que distinguir, e dize-lo com clareza, que nem sempre as obras de Deus são executadas pelos Homens com a racionalidade devida. Se a religião inspira dos actos mais louváveis e abnegados que se possa imaginar, não é menos verdade que inspira também as acções mais cruéis e desumanas que é possível conceber. Aos que nos pedem respeito pelas religiões e suas respectivas idiossincrasias, há que exigir liberdade laica para as nossas acções e pensamentos.

O que dizer daquele grupo religioso americano que, em nome do serviço divino, decidiu salvar diversas crianças haitianas da catástrofe que assolou aquele país? À primeira vista poder-se-ia considerar um acto do mais puro altruísmo e de ajuda a quem foi retirado o pouco que já tinham. Esta história seria meritória não fossem alguns pormenores. Em primeiro lugar descobriu-se que esses órfãos seriam entregues a famílias ultra-religiosas e conservadoras, que per se já seria mau. A educação deve ser transversal e possibilitar o contacto com diversas realidades. Educar no fundamentalismo, seja ele qual for (e em especial no religioso), é impor um ponto de vista e impossibilitar a liberdade de pensamento (o bem mais universal da Humanidade). Em segundo lugar há que explicar que nem este acto era de todo altruísta: afinal os casais teriam de pagar uma soma considerável por cada criança (10 mil dólares); até na religião já se instalou o capitalismo selvagem. Ainda assim, se fosse para melhorar a vida das crianças poder-se-ia (embora com muita relutância) aceitar estas acções por parte deste grupo religioso. Porém, e isto já não se pode branquear com qualquer dogma religioso, não se pode aceitar que se façam órfãos crianças que têm pais vivos e dos quais ninguém quer que sejam separados. Para isto só há um nome: tráfico de seres humanos!

Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Asfixia Gastronómica



Como no passado, agora e sempre... amén! Tchiuuuu.

Domingo, 20 de Setembro de 2009

Dois caminhos

Nas eleições autárquicas (ao contrário do que acontece em eleições gerais como presidenciais, legislativas ou europeias) o voto do eleitor não é marcadamente ideológico. Aliás, parece que em Portugal esse mesmo voto é, na maioria dos casos, raramente apoiado numa ideologia política, mas antes numa concordância momentânea.

Num ano recheado de actos eleitorais e, consequentemente, de discussão de temas das mais diversas formas, é quase impossível passar por órgãos de informação sem “esbarrar” em debates entre candidatos. Foi exactamente isso que me aconteceu recentemente, tendo acabado por ouvir um debate de candidatos a uma Junta de Freguesia. É claro que se tratava de uma terra que eu não conheço (nem prevejo vir a conhecer). Porém, não deixou de ser interessante ver a forma como se faz política ao nível mais próximo da população.

O que vou contar de seguida até poderá ser um pouco redutor de todo um mandato autárquico, mas não deixa de ser verdadeiramente significativo e simbólico. Mas, antes de passar a isso, importa enquadrar este exemplo na falta de voto ideológico supracitado. De facto, a este nível (e leia-se autárquico) é raro observarmos candidaturas que são marcadamente ideológicas (talvez as candidaturas do PC), não sendo por isso de estranhar que muitas vezes pessoas passem das listas de um partido para as listas de outro. De facto, foi o que aconteceu neste caso em particular.

A certa altura do debate é perguntado ao presidente da Junta (que se recandidata, pelo que percebi, pela quarta vez) o que teria sido feito nos últimos quatro anos. Sem demoras, este responde: “Dois caminhos”. Bem-haja quem, num trabalho de quatro anos, escolhe justamente dois caminhos para indicar como a sua principal obra.

Felizmente a democracia tem essa vantagem da escolha pela alternativa. Senhor presidente tenha cuidado. A construir caminhos a essa velocidade e sem nada mais substantivo para oferecer, não será de admirar se os eleitores optarem por um caminho alternativo.

Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009

"Better the Devil You Know"

Muitas vezes tenho sido acusado de, recorrentemente, servir-me da mesma linha de exemplos para pincelar em linhas gerais temas sobre a sociedade. São exemplos as referências constantes a episódios de “Os Simpsons” ou a músicas da Eurovisão (como se pode confirmar em posts anteriores). Em abono da verdade, há que admitir que essa atitude não foi, de todo, intencional mas, como efeito, é uma prática recorrente.

Hoje, quando me dirigiram um comentário sobre o conteúdo dos textos aqui apresentados, acompanhado de uma “crítica” de baixa actualização deste blog (que eu aceito com bastante tristeza e resignação), apercebi-me que essa prática não é reprovável, antes pelo contrário. Acredito que o recurso a esses exemplos tem um duplo sentido: reforçar a ideia que pretendo transmitir ao mesmo tempo que divulgo algo que para a maioria possa ser desconhecido (ou pelo menos algo que tenha passado despercebido).

Foi neste contexto que me surgiu no pensamento o Festival Eurovisão da Canção de 1993. Sim, pode parecer um pouco distante, mas para o caso serve perfeitamente. Nesse ano, em plena votação, dois países destacaram-se na dianteira: a Irlanda (vencedora de 1992 e organizadora do evento) e o Reino Unido (o segundo classificado do ano anterior). Após a votação do Reino Unido (que atribui 12 pontos à Irlanda), a Irlanda tornou-se claramente a favorita a vencer o festival.

Ao terminar das votações, faltava conhecer os votos de um país: Malta (que foi deixado para o fim por dificuldades na transmissão – outros tempos em que a votação ainda era por telefone). Esta votação até poderia não ter grande importância, mas há que considerar um facto relevante: a diferença na votação dos dois países era de 11 pontos. Assim, tudo ainda estava em aberto (embora as possibilidades de vitória do reino unido fossem substancialmente inferiores às da Irlanda). Quis o destino (ou o júri de Malta) que nenhum dos dois países tivesse qualquer votação até se atingir os 12 pontos.

A expectativa era grande e reinava a ansiedade na sala. Se os 12 pontos fossem atribuídos ao Reino Unido, os britânicos levariam o prémio para casa com apenas um ponto de diferença. Porém, se fossem atribuídos à Irlanda, o país anfitrião granjearia uma vitória confortável de 23 pontos. Num terceiro cenário, a atribuição dos pontos a um qualquer outro país conferiria o prémio à Irlanda. E foi nesta ânsia que se ouviu Irlanda.

Falta, por isso, explicar a razão de ter escolhido esta metáfora. Nos últimos tempos tem sido claro que vale tudo para que o PS não vença as eleições de Setembro. Da esquerda à direita esgrimem-se argumentos para persuadir o eleitorado que os últimos anos foram realmente maus. Terão sido? É como na música, é impossível agradar a todos. É nesta lógica de “tudo menos o PS” que me surgiu a ideia de que estas eleições legislativas seriam um ESC 1993. Afinal, a música que ficou em segundo lugar (do Reino Unido) chamava-se “Better the Devil You Know”.

Por isso, para mim, se as eleições legislativas de 27 de Setembro fossem o festival de 1993, o PS venceria as eleições, é que, na minha opinião, “In Your Eyes” (da Irlanda), interpretada por Niamh Kavanagh, era a melhor música a concurso.
Adenda: Não quero com isto dizer que não gosto da música do Reino Unido, de facto, gosto bastante.

Sábado, 27 de Junho de 2009

"Minha Dor"

A música "Oro", de Jelena Tomasevic, que representou a Sérvia na Eurovisão em 2008 já era uma das minhas músicas preferidas do concurso nesse ano, mesmo não sendo capaz de perceber o seu significado. Aliás, para mim não compreender a letra de uma música é sempre um grande entrave a gostar da mesma (basta ver o exemplo de "Waterloo" dos ABBA na versão original e na versão em inglês).
Foi quando tentei encontrei a letra desta música em inglês (o que regularmente acontece com músicas da Eurovisão) que me deparei com algo extraordinário. Descobri que a música tinha uma versão Portuguesa! Este facto, só por si, é extremamente significativo, mas ouvir a música num português tão perfeito (para um estrangeiro) e ver que a letra se ajustou de uma forma tão harmoniosa e lusitana a uma música dos Balcãs, foi realmente satisfatório.
Infelizmente, Portugal não atribuiu qualquer ponto a esta música (optou pelo voto da emigração e atribuiu 12 pontos à Ucrânia!!)
Muitos parabéns pela iniciativa, e que sirva de exemplo para os próximos festivais da canção!